segunda-feira, 10 de novembro de 2008

LUA DE TAPIOCA


"Quando a lua se faz de tapioca
Com a goma e o coco a me banhar
Sinto o meu coração corcoviar
Por estar no abandono, abandonado
E sozinho, que nem boi de arado,
Me avermelho que nem flor de tipá
E se algum alegreiro me jogar
Tanto assim de alegria
Eu a renego
Porque fico que nem olho de cego
Que só serve somente para chorar.
É a lua acendendo a lamparina
E meu facho de luz a se apagar
Com as bochechas choradas a se chorar
Tal e qual mamão verde catucado
Mas porém sinto o meu peito caiado
Quando vejo de longe o riso teu
Igualmente a um morrido que viveu
Peço que teu socorro não demore
E que só a minha fala te sonore
E que dentro de ti só more eu."
Jessier Quirino
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